Tenho andado a pensar sobre a alma.
Acredito que um ser vivo é mais do que um montinho de células biologicamente programado que desaparece com a morte. Tem que haver mais alguma coisa e eu acredito que seja uma alma (ou espírito ou o que se quiser chamar).
Pois pensar em alma implica que eu veja a pessoa na sua dualidade corpo-mente (ai Descartes que estavas certo) certo?
Acontece que na minha profissão lido com as pessoas e tento, de alguma forma, fazer com a que a sua vida fique melhor ou pelo menos mais adaptada.
Ora quando estou em consulta este meu montinho de células está a olhar para os outros montinhos de células mas... e a alma? Será que é a minha alma que está a falar com a outra alma? Será que quando tento fazer alguma coisa estou na verdade a mudar a alma das pessoas (sim já sei que vais dizer que eu não mudo nada)?
Não sei se me faço entender mas o que me tem feito comichão nestes últimos dias é pensar se lidamos so com o corpo ou com algo mais.
E se quando falamos com alguém as nossas almas se encontram num plano superior a nós?
E se quando as pessoas não têm explicação para os comportamentos isso se deva à alma? Até que ponto é considerada nas nossas vidas.
E quando mudamos mudamos de alma? Ou as mudanças ficam "carimbadas"?
Se hoje pintar o cabelo a minha alma fica diferente? E se passar a falar outra língua? E se só comer vegetais? E se só ouvir Rock? E se mudar de partido? De religião? E se mudar os meus rituais? E e ficar doente? E se...?
Faz-me pensar naquela conversa do terapeuta de papel lembraste? Como se o corpo fosse esse tal terapeuta que eu defendo e tu já tivesses alcançado um outro plano e por isso tens outro entendimento.
Eu acho que a alma muda... Quando nos envolvemos numa relação e saimos magoados, ficamos literalmente um farrapinho mas o nosso corpo continua na sua unidade.
E quando rezamos sentimos mais próximos de Deus mas o nosso corpo está no mesmo sítio? Eleva-se a alma.
Assim sendo, a alma e o corpo podem ter experiências diferentes. Mas eu sinto-me só uma. Quem domina?
Parece que nos próximos tempos a minha alma vai ser alvo de algumas experiências... Só ainda não sei como.
Simplesmente Divinal...
ResponderEliminarAo ler o teu texto, fiquei com uma vontade imensa de te responder, de partilhar contigo tudo o que sei, tudo o que acredito sobre corpo, alma, transcendência, etc... Ainda cheguei a escrever uma longa mensagem, e no final... apaguei tudo.
ResponderEliminarNão foi um desperdício, foi bom pôr para fora tudo isso, mostrar a mim mesmo que tenho pensado nessas coisas e que agora posso "ensinar" aos outros. Mas depois apercebi-me que estava ao lado da questão.
A beleza deste espaço para mim, é que não é um espaço para respostas, mas sim um espaço para o despontar das perguntas, é um espaço de provocação e portas abertas.
Será um espaço para a alma ou para o corpo?
A alma está em tudo o que fazemos, por isso está no encontro do outro, então porque fingimos que não existe, porque fingimos que as crenças podem ser meros objectos racionais, e que se o outro não ve o mesmo que nós, então está provavelmente doente...
Como posso eu por mais alma naquilo que faço? Devo por mais alma naquilo que faço? Devo agir fora da alma, naquilo que posso devolver, ou seja o que se passa ao nível dos comportamentos e nada mais? Ou pelo contrário devo abrir o espaço ao outro superior, às suas aspirações, desejos, crenças, medos, etc...
"Eu acho que a alma muda... Quando nos envolvemos numa relação e saimos magoados, ficamos literalmente um farrapinho mas o nosso corpo continua na sua unidade.
E quando rezamos sentimos mais próximos de Deus mas o nosso corpo está no mesmo sítio? Eleva-se a alma"... adorei
Fala-me mais do papel de Deus na psicologia.