quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Esta coisa de Alma

Tenho andado a pensar sobre a alma.
Acredito que um ser vivo é mais do que um montinho de células biologicamente programado que desaparece com a morte. Tem que haver mais alguma coisa e eu acredito que seja uma alma (ou espírito ou o que se quiser chamar).

Pois pensar em alma implica que eu veja a pessoa na sua dualidade corpo-mente (ai Descartes que estavas certo) certo?

Acontece que na minha profissão lido com as pessoas e tento, de alguma forma, fazer com a que a sua vida fique melhor ou pelo menos mais adaptada.
Ora quando estou em consulta este meu montinho de células está a olhar para os outros montinhos de células mas... e a alma? Será que é a minha alma que está a falar com a outra alma? Será que quando tento fazer alguma coisa estou na verdade a mudar a alma das pessoas (sim já sei que vais dizer que eu não mudo nada)?

Não sei se me faço entender mas o que me tem feito comichão nestes últimos dias é pensar se lidamos so com o corpo ou com algo mais.
 E se quando falamos com alguém as nossas almas se encontram num plano superior a nós?

E se quando as pessoas não têm explicação para os comportamentos isso se deva à alma? Até que ponto é considerada nas nossas vidas.

E quando mudamos mudamos de alma? Ou as mudanças ficam "carimbadas"?
Se hoje pintar o cabelo a minha alma fica diferente? E se passar a falar outra língua? E se só comer vegetais? E se só ouvir Rock? E se mudar de partido? De religião? E se mudar os meus rituais? E e ficar doente? E se...?

Faz-me pensar naquela conversa do terapeuta de papel lembraste? Como se o corpo fosse esse tal terapeuta que eu defendo e tu já tivesses alcançado um outro plano e por isso tens outro entendimento.

Eu acho que a alma muda... Quando nos envolvemos numa relação e saimos magoados, ficamos literalmente um farrapinho mas o nosso corpo continua na sua unidade.
E quando rezamos sentimos mais próximos de Deus mas o nosso corpo está no mesmo sítio? Eleva-se a alma.

Assim sendo, a alma e o corpo podem ter experiências diferentes. Mas eu sinto-me só uma. Quem domina?

Parece que nos próximos tempos a minha alma vai ser alvo de algumas experiências... Só ainda não sei como.

domingo, 14 de novembro de 2010

Dúvida

Porque é que qunado não tenho tempo para os outros me sinto importante e quando os outros não têm tempo para mim me sinto rejeitada?

Sugestões?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A psicologia e a vida

A minha parte preferida do dia é a hora de ir dormir. Porquê? Porque a casa fica em silêncio, porque me posso confortar nos cobertores e no meu boneco, porque posso pôr a leitura em dia, porque me espera uma das melhores sensações que é adormecer, porque a minha única responsabilidade é dormir descançada e porque posso pensar.

Acontece que este fim-de-semana dormi na minha minúscula cama com um ser de 6 anos que eu adoro. O problema, além da falta de espaço, foi eu ir buscar o meu boneco.
Diz a criatura:
" Não achas que já és grande para dormir com um boneco?" e riu-se.

Depois de ele adormecer fiquei a pensar na pergunta... De facto sou grande e de facto durmo com um boneco. Mas o meu boneco deixa que eu o abrace sem reclamar, nunca reclama se eu o deixo de lado ou se durmo em cima dele...

Bom mas o que me levou a pensar foi o facto de alguém já adulto (e que supostamente sabe as fases de desenvolvimento humano e o que é ou não esperado em cada idade) nunca se ter questionado sobre esta incapacidade de dormir "sozinha".

A que se deve este comportamento infantil? Que sentimentos me provoca esta maneira de dormir?
Talvez por se referir a mim própria nunca reflecti sobre isto.

Decidi reflectir essa noite e cheguei à eterna dúvida "porque é que fui para psicologia?".

Porque é que sempre quis salvar criancinhas e mesmo não o fazendo (como planeei que o fosse fazer) me sinto feliz e realizada?

Porque é que quando penso sobre mim nunca chego a nenhuma conclusão e acabo por adormecer?

Serei assim tão aborrecida ou tenho medo do que vou encontrar cá dentro e o sono é estratégia de evitamento ou pelo menos de distração?

Apenas sei que continuo a acreditar que existem dois eu. Uma que sabe a teoria psicológica e outra que vive alheada disso.

Enfim... Vidas!

sábado, 6 de novembro de 2010

Quando alguém me magoa, mais do que me sentir triste, sinto-me pequenina... E pequeinina porque quando me magoam gostava que a seguir me dissessem que está tudo bem e que um abraço pudesse sarar as coisas.

Mas isso nunca aconteceu. Sempre que me magoam eu fujo! Fujo para um mundo só meu onde os abraços deixam de ter importância porque existo apenas eu.

Gosto de pensar que não preciso de ninguém... alíás sempre fui eu o ombro amigo dos outros e de mim mesma. Por isso é que acham estranho quando falo sozinha... eu não falo sozinha, falo comigo.

Porque nunca ninguém reparou quando eu tive um dia mau ou quando chorei... nunca ninguém olhou para mim para me ver.

Mas não faz mal porque eu basto. Eu abraço-me e consolo-me... Eu sou minha mãe e meu pai. Cuidadora e cuidada. E assim nunca me desiludo.

Gostava de te poder dizer que tudo o que me fazes só me torna mais forte e que te perdoo.

Eu Ana sou muito mais forte do que aquilo que imaginas mas às vezes sabia-me bem ser abraçada e sentir que para ti sou aquilo que dizes que sou.

Nao me importa. Os sentimentos passam, as experiências mudam e um dia serei para alguém aquilo que queria que fosses.

Tenho pena que nunca chegues a ler a carta de agradecimento nem este blog. Essas coisas são parte do meu mundo e ai nunca vais puder entrar. Lamento.

p.s- não deixa de ter piada quando publiquei esta mensagem pela primeira vez apareceu uma publicidade que dizia "Deus Ama-te". Aí e´stá a prova como te manifestas nos mais pequenos gestos. Obrigada por gostares de mim Deus.