segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ética versus Felicidade...


Ética versus Felicidade... hipoteticamente, o que teria mais importância para ti? Ser ético, mesmo que isso pudesse estar no caminho da felicidade do outro? Ou promover a felicidade, mesmo que isso te obrigasse a dobrar algumas regras éticas?

Nunca me hei-de esquecer das palavras do Professor Luís Miguel Neto, em que dizia que "(...) ser ético é estar à altura da situação". Outro professor dizia-me que  "Responsable = Response +Able", ou seja, que é estar habilitado a dar uma resposta à situação. Por isso penso se a Ética e a Responsabilidade serão a mesma coisa, ou apenas vizinhas... Poderá haver ética sem responsabilidade? Poderá a responsabilidade não ser ética?

Que pensas sobre isto?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Felicidade, cenoura?... ou Gratidão?

A felicidade existe, ou é apenas a cenoura que o Homem inventou para si próprio. Se imaginar que o Homem primitivo estava em consonância com a Natureza, seria feliz? Da mesma maneira que os animais em estado natural estão/são felizes? Mas depois inventámos/descobrimos a transcendência... ser mais do que somos, existe o céu, existe outras vidas passadas, existem realidades alternativas... e por vezes todas elas parecem querer satisfazer a insatisfação congénita do ser Humano pela sua condição. Ficar à espera de outra vida, acumular bens e experiências... de todos aqueles que parecem ter chegado a um ponto semelhante à felicidade aquilo que vejo foi justamente despojar de coisas e actividades, e o foco numa única experiência... a Gratidão.

Fará sentido isto? A Gratidão, não como o "obrigado", mas como um sentimento de identificação e satisfação por o outro ou algo ser exactamente assim, o reconhecimento da sacralidade de toda a existência tal como é agora, com guerras, drogas, pestilência, morte, violência, etc. Saber que toda essa patologia é um sintoma, e que todo o sintoma tem uma função, e que toda a função é um esforço para a sobrevivência... Fará sentido?

E que significa isso para a nossa prática clínica?

domingo, 4 de dezembro de 2011

Quadradinhos

Tanto tempo passa, tanta coisa a acontecer, o trabalho, a família, os objectivos, os sonhos, os tempos de lazer, os amigos, o Natal...

É engraçado como o Natal é uma época de paz, amor e fraternidade entre os homens, e é uma das alturas mais emocionalmente negativas. As tensões familiares, em que temos de tomar posição e tentar conciliar prioridades e pessoas, os filhos de pais divorciados, pensar naqueles que já não estão connosco, o pensar "será que é este ano que reconheço aos meus filhos que o Sr. Barbudo de vermelho é uma invenção da coca-cola..."

Sei que estás a começar, a caminhar, a querer construir o teu espaço, que valorizas a tua família e que já tens responsabilidades que muitos não fazem ideia... eu tenho quase 40 anos (devo estar a chegar à crise de meia idade) e apercebo-me que esta é uma luta que nunca acaba, apercebo-me que não há uma altura lá para os 33, em que entramos na vida boa, calma, etc.

Era essa a idade que eu tinha quando entrei para aqui. Tinha 7 anos de pratica profissional, em bairros, coisa de mão na massa. Aqui o trabalho era mais clínico, mas mais centrado nas famílias e menos na comunidade. Pensei "tá-se bem, agora é só ir subindo como numa escada rolante", e passado 3 anos percebi que estava a morrer, fui para a pós-graduação à procura de uma tábua de salvação... não encontrei grande coisa.

Agora olho para a minha vida e queria que ela estivesse arrumada.... 40 anos, é suposto estar confortavelmente numa casinha porreira, num trabalho "nine to five" e com consultas "on the side", com uma família alegre e feliz, e com uma barriga do ócio... Bem, a barriguinha cá está, mas o resto... Não está, pelo contrário, parece-me cada vez mais desarrumada, com cada vez menos tempo para o que é importante, a família, o amor, a saúde e o gostar de mim próprio.

Durante muito tempo vais pensando "é só ter isto arrumado para começar a viver... " anos depois olhas para trás e apercebes-te que a tua vida foi apenas isso... arrumar!

Sou um apaixonado pela paixão, mas vivo sem arriscar, vivo sem paixão, o meu percurso é "by the book", quando digo onde trabalho os outros invejam e admiram, rebelo-me por dentro, mas por fora sou um "quadradinho". Onde está a paixão na minha vida? Estou vazio!

A vida começa a meter medo. Medo de nunca chegar a ser alguém, medo de deixar a vida passar por mim porque apenas quero o confortável e seguro, medo de um dia olhar para trás e ver o que deixei cair apenas porque queria carregar "o sonhozinho de classe média!" que nos vendem desde pequenos. Mas acima de tudo, medo de ser esse o exemplo que deixo às minhas filhas.

Será que demoramos 40 para perceber o que é realmente importante na vida de cada um de nós.

E tu? Quais são os teus sonhos?