Desde Setembro que embarquei nesta aventura.
No início eu achei que era o Titanic.. lindo que só ele mas que ia afundar.
Com o tempo transformou-se num iate onde era tudo fantástico. Nos tempos difíceis foi um barquinho de pescadores que dá muito trabalho e às vezes não se apanha nada. E assim ia eu navegando.
Agora é diferente. Já não vou ao sabor do vento. Sei o que tenho que fazer e que as coisas só são feitas se eu as fizer. Agora é uma bicicleta que precisa de impulso para andar e só nas descidas desliza só com equilíbrio.
Já não me sinto na corda bamba. Não acho que vou cair.
Agora sou mais consciente, mais capaz e mais forte.
Mas tudo isto se faz pelo menos em par.
Antes eu achava que as pessoas tinham o mesmo amor que eu. E que era com prazer (será?) que vinham "conversar" com a doutora.
Agora eu sei que não é assim. Que nós somos uns bichos maus que tiram meninos aos pais e que só servimos para dar subsídios. E quando me apercebi que a minha esperança só via em mim cifrões...
Por isso antes ficava magoada quando faltavam aos atendimentos. Agora estou resignada. Penso que é normal, que é do próprio sistema ser assim...
Mas olho para mim e sei que não sou de me resignar. Basta! Dou o murro na mesa. Não podemos continuar a ser iguais e a agir da mesma forma.
Uma vez perguntaram-me porque é que eu não dava as soluções aos problemas das pessoas. Mas eu não tenho soluções- Respondi. Ai não?! Então serves para quê? (Pausa). Bem na verdade eu sirvo para fazer diferente. Para ajudar a descobrir as soluções e não para apontar caminhos. Eu sirvo para aquilo que os outros querem que eu sirva. Eles é que são mais importantes, é que definem o meu papel na sua vida.
Portanto toca a sair do conforto e a fazer mais, ser mais e dar mais. Porque não podemos agarrar a vida destas pessoas mas podemos deixar as nossas impressões digitais.
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