sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Não gosto

Há muitas coisas que não gosto.
Uma delas é que me deem os pesames... nem sei o que isso quer dizer! também não gosto que me deem os  sentimentos porque pensando bem já me chegam os meus não preciso dossentimentos dos outros.
Não gosto que digam que tenho que ser forte. Eu sei que tenho mas só sou se quero.

Não gosto de pessoas que choram em funerais quando nem conhecem o falecido. E também não gosto das pessoas que conheciam bem o falecido e choram como se não houvesse amanhã. Não gosto de pessoas que choram ao lado do caixão para toda a gente ver. Nem gosto daquelas pessoas que só choram quando aparece alguém.

Não gosto que se despeçam do corpo quando a alma continua viva. Não gosto que abram o caixão no cemitério.

Não gosto que todas as pessoas se façam amigos num funeral.

Não gosto que me digam coisas despropositadas num funeral tipo "és igualzinha à tua mãe". Não gosto que me perguntem por familiares que não estão presentes. Não gosto ter que fingir que sei sobre esses familiares quando só me apetece dizer "que ardam no inferno vocês todos"!!

E também não gosto de esperar pela hora do funeral nem do discurso do padre sobre as coisas terrenas.

Não gosto que me digam que as crianças não podem entrar num cemitério.

Não gosto de flores a dizer "Eterna Saudade" quando ainda nem há saudade. E não gosto de pessoas que só mandam flores porque fica bem.

Não gosto de funerais porque praticamente não gosto de nada do que lá se passa.

E não gosto de escrever ou pensar sobre mim quando só me apetece viver no vazio.

E é isso que vou fazer nos próximos tempos.

2 comentários:

  1. Fica tudo tão envolto em ritual... e se houve uma altura em que os rituais tinham o propósito de nos proteger, de nos apoiar, de nos reforçar... hoje em dia há muitos que se esvaziaram.

    As pessoas já não se dão com as pessoas, apenas deixam as suas imagens de si próprias ter relação com as imagens que os outros têm de si... ou ainda pior com as imagens que NÓS temos dos outros.

    Os abraços já não servem para segurar as pessoas, para as rodear e amar. Os apertos de mão já não servem para demonstrar honestidade e transparência. É tudo fachada... e se para alguns isso é libertador, porque não é preciso pensar ou sentir, apenas fazer... para outros custa.

    Eu... gosto de abraços!

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  2. E se de repente os rituais não fizessem sentido? E se todos os criticassem mas continuassem a fazer?

    E se todos soubermos que estamos a ser hipócritas mas mesmo assim não fazemos nada?

    E se as pessoas pudessem criar novos rituais?
    E se os abraços fossem fortes mas não sufocantes? E se as pessoas se amassem em todas as ocasiões e não só nos casamentos e funerais?

    Eu gosto de abraços... mas à minha medida.

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