Alguém me disse que eu nunca me descontrolo. Nunca saiu da minha área de conforto.
Pois é ontem descontrolei-me e desconfortei-me.
Gritei, berrei e disse o que não devia. Foi bom. Senti-me aliviada. E foi mau. Senti-me culpada. E ainda me sinto.
Pedi desculpa e dei um abraço prolongado. Mas não foi estranho. O abraço foi retribuido. Pensei "INACREDITÁVEL". Talvez também quisesse um abraço. Talvez, tal como eu, nunca diga quando precisa de um abraço. Talvez, tal como eu, entregue tudo para Deus, ainda que não seja o mesmo Deus, e se abandone de sentimentos. Talvez... ou talvez nunca me tenha dito porque não sabe como vou reagir.
Mas ontem ouvi o que não estava à espera. Não que fossem coisas más, mas são coisas que não nos dizem (pelo menos a mim). E Eu? Continuei a praguejar contra a vida e a fazer dos meus valores, os valores do mundo... E ouvi que sou especial e que alguém gosta de mim mais do que possa imaginar. E que a forma como eu quero ser amada não é a forma que me amam mas isso não torna as coisas erradas.
Aprendi que somos ainda mais diferentes do que imaginava. Mas que é essa riqueza que nos torna unidos.
E é tão bom ser tratada de forma diferente.
Isto foi ontem...
E que belo dia deve ter sido... um dia em que as nossas seguranças, os nossos caminhos que algures lá atrás pré-definimos, se tornam um pouco cinzentos porque parece que "someone is plotting against me!"... esses dias são como bem refere, a semente de algo mais, daquele restinho no fundo do prato que faz toda a diferença, daquele pequeno pedaço, que pode nem matar a nossa fome, mas que deixa um sabor diferente, que muda tudo...
ResponderEliminarComo é que é que isso nos faz mais pessoas? Como é que pode ser, porque é que os outros têm planos... gostei da parte em que escreve "(...) E Eu? Continuei a praguejar contra a vida e a fazer dos meus valores, os valores do mundo.." Fazer dos meus valores os valores do mundo... fantástica capacidade de crueza, e clarividência, a maneira como se despoja, se vulnerabiliza... tantas vezes que olhamos e sabemos o que estamos a fazer... mas ainda não sabemos o que queremos pensar ou sentir em relação a isso... para mim é chegar a horas... sei que não o faço, gostaria de o fazer, sei que as minhas acções levam inevitavelmente ao atraso, mas continuo a fazê-lo... porque todos me dizem que não o posso fazer, porque os outros me dizem não respeito quem por mim espera, por tudo isso continuarei a chegar atrasado... simplesmente porque ainda não encontrei a minha resposta, e no momento em que a encontrar... provavelmente passarei a chegar a horas... apenas preciso que seja de mim que vem esta necessidade e não de outros.
Será possível alguém mudar pela argumentação do outro? Será possível a mudança e o crescimento sem tornar exclusivamente meu esse processo?...