domingo, 4 de dezembro de 2011

Quadradinhos

Tanto tempo passa, tanta coisa a acontecer, o trabalho, a família, os objectivos, os sonhos, os tempos de lazer, os amigos, o Natal...

É engraçado como o Natal é uma época de paz, amor e fraternidade entre os homens, e é uma das alturas mais emocionalmente negativas. As tensões familiares, em que temos de tomar posição e tentar conciliar prioridades e pessoas, os filhos de pais divorciados, pensar naqueles que já não estão connosco, o pensar "será que é este ano que reconheço aos meus filhos que o Sr. Barbudo de vermelho é uma invenção da coca-cola..."

Sei que estás a começar, a caminhar, a querer construir o teu espaço, que valorizas a tua família e que já tens responsabilidades que muitos não fazem ideia... eu tenho quase 40 anos (devo estar a chegar à crise de meia idade) e apercebo-me que esta é uma luta que nunca acaba, apercebo-me que não há uma altura lá para os 33, em que entramos na vida boa, calma, etc.

Era essa a idade que eu tinha quando entrei para aqui. Tinha 7 anos de pratica profissional, em bairros, coisa de mão na massa. Aqui o trabalho era mais clínico, mas mais centrado nas famílias e menos na comunidade. Pensei "tá-se bem, agora é só ir subindo como numa escada rolante", e passado 3 anos percebi que estava a morrer, fui para a pós-graduação à procura de uma tábua de salvação... não encontrei grande coisa.

Agora olho para a minha vida e queria que ela estivesse arrumada.... 40 anos, é suposto estar confortavelmente numa casinha porreira, num trabalho "nine to five" e com consultas "on the side", com uma família alegre e feliz, e com uma barriga do ócio... Bem, a barriguinha cá está, mas o resto... Não está, pelo contrário, parece-me cada vez mais desarrumada, com cada vez menos tempo para o que é importante, a família, o amor, a saúde e o gostar de mim próprio.

Durante muito tempo vais pensando "é só ter isto arrumado para começar a viver... " anos depois olhas para trás e apercebes-te que a tua vida foi apenas isso... arrumar!

Sou um apaixonado pela paixão, mas vivo sem arriscar, vivo sem paixão, o meu percurso é "by the book", quando digo onde trabalho os outros invejam e admiram, rebelo-me por dentro, mas por fora sou um "quadradinho". Onde está a paixão na minha vida? Estou vazio!

A vida começa a meter medo. Medo de nunca chegar a ser alguém, medo de deixar a vida passar por mim porque apenas quero o confortável e seguro, medo de um dia olhar para trás e ver o que deixei cair apenas porque queria carregar "o sonhozinho de classe média!" que nos vendem desde pequenos. Mas acima de tudo, medo de ser esse o exemplo que deixo às minhas filhas.

Será que demoramos 40 para perceber o que é realmente importante na vida de cada um de nós.

E tu? Quais são os teus sonhos?

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