Hoje estive a pensar no teu "defeito": fazes demasiadas perguntas!!
Na verdade não sei bem se é defeito (e por isso está entre aspas)... ou se é hábito! Passas o dia a ouvir falar dos outros e a perguntar que acabas por resvalar para todas as situações. E também porque nada em ti é simples e linear.. todo tu é a sistémica e por isso tentas encontrar razoes e explicações e depois perguntas as razoes das razoes e explicações para as explicações.
Pensas demais sabias? E nem sempre todas as pessoas estão dispostas a pensar. Eu gosto de te ouvir pensar, gosto de aprender contigo... mas eu gosto de ti! Es o meu mestre que eu admiro e por isso quando pensas e partilhas isso comigo é bom de ouvir..
Mas outra coisa que me lembrei hoje é o porquê de fazeres tantas perguntas... Procuras mesmo respostas? Ou estás a fazer reflexo de ti? Gostavas que te perguntassem as coisas? Desiludes-te quando alguém não tenta ir mais fundo e compreender melhor? Com as informações que recolhes conheces melhor os outros? Ou tens apenas uma imagem mais nitida daquilo que os outros pensam que são?
Eu gosto mais de ouvir... Até porque um psicólogo não faz perguntas=).
Que é que queres dizer com isso? ...lol...
ResponderEliminarSabes que também eu me deparei com a famosa frase, e que não me tinha apercebido, de facto já faço a coisa de maneira tão inata que não me apercebo que este deve ser um processo e não um processo centrado em mim...
Porque faço tantas perguntas? Porque ao contrário do que ouvi, para mim é justamente a pergunta que é a arte do psicólogo, mas não é a pergunta directa de perguntar algo que queremos saber... não, a pergunta não quer uma resposta, quer um processo.
Já alguma vez leste o I-Ching? Já alguma vez o usaste? O I-Ching, é um sistema divinatório milenar, onde usas umas "runas" ou moedas, pensas numa pergunta, aquilo dá-te um número, e com esse número vais ver que frase está lá... e costuma ser uma frase do género:
"Libertação. Colheita no sudoeste.
Sem nenhum lugar para ir,
Seu retorno traz boa sorte.
Ter uma direção a seguir,
Alvorada, boa sorte."
... ora isto não diz nada de nada... no entanto se meditares nesta frase, inicias um processo dentro de ti que pode mudar-te, abrir-te, etc... é um bocadinho como a intervenção paradoxal? O tentar fazer sentido de algo aparentemente sem sentido, obriga-te a sair do te espaço de segurança e a olhar de Novo para a mesma coisa, e os olhares mudam as coisas!
... creio que a pergunta pode ter o mesmo efeito. Há perguntas que nós sabemos que não queremos que nos façam. Há perguntas que nos surpreendem, há perguntas que nos desbloqueiam...
... lembro um amigo meu que não conseguia ter coragem para falar com raparigas, e uma vez disse:"Em vez de pensar "porquê", vou pensar "e porque não""... isso mudou a sua maneira de perceber o mundo e passou a agir nele.
... mas nesta história esqueci de fazer a mim próprio uma questão muito importante (lá estamos nós nas perguntas)... faz sentido a todos? consegues não ser intrusivo com as perguntas?
... sim, porque as perguntas podem acolher, ou podem afastar. A menina que me disse isso das muitas perguntas disse-o porque achava que tinha todas as respostas, mas eu tinha sempre mais perguntas, e a certa altura as respostas acabavam... e ela queria e quer ter certezas... ela tem direito a isso, e acho que por vezes esqueço o direito a "ser" que o outro tem.
É fácil nos transformarmos no bombeiro que entra em casa das pessoas para apagar a lareira na véspera de Natal... há alturas em que as pessoas querem ver o fogo! E não há nada de mal nisso!
OK, resumindo... a pergunta é para mim uma técnica forte que estou a tentar aprimorar, o questionamento circular para dentro do indivíduo, intervenção sistémica individual. No entanto também me serve de muleta. E a pergunta mais importante é "porque é que fazes tantas perguntas!"... obrigado por a teres feito!
Mas não acaba aqui... há ainda tanto para dizer...
colega