Quando as palavras são poucas para dizer o que sentimos e mesmo quando o que sentimos não pode ser transmitido em palavras... Fico com a sensação que estou a sufocar. Preciso de te dizer o quão és importante na minha formação mas não consigo, não sei explicar, é novo para mim.
Talvez a imaturidade me faça pecar por defeito, por não dar importância às coisas pequenas. Quero ter sempre emoções fortes, reações, paixões... mas o dia-a-dia não é assim.. e chego à noite cansada, adormeço no sofá sem saber porquê. Agora sinto que isto exige muito de mim. Uma exigência que eu quero sentir, quero entregar-me... mas acordo, levanto o meu corpo e a minha cabeça fica a dormir. Deambulo pela rua, pelos transportes sem ver ninguém. Até já perdi a vontade de andar de autocarro, de ver o novo, de conhecer...
E depois o meu mestre diz que se transforma em aluno, e eu sinto-me especial, melhor mas incapaz de suportar tamanha responsabilidade.
E no meio da correria e do calor dos dias, tenho frio e preciso de me agasalhar.
quem diria...
ResponderEliminarNão há dúvida que tens a capacidade de me surpreender, a tua energia, a tua inocência, a tua certeza de que o mundo vai mudar com a tua passagem... tudo isso me revigora e me recorda como eu era, coisas que fui perdendo e que hoje olho com desdém por ter medo de me confrontar com o facto de que no fui eu que deixei fugir... Não, eu não sabia que iria ser assim, não sabia que ia ser tão intenso, porque nunca me tinha acontecido.
Há um ditado na capoeira que diz "Quem não pode com a Mandinga, não carrega Patuá"... ou seja cuidado com o que desejas porque pode ser-te concedido. Eu pedi alguém capaz de se entregar corpo e alma, alguém que transcendesse o mero fazer, que visse este momento como um momento do Ser... e calhou-me alguém que fez exactamente isso. Alguém que o fez até melhor do que eu, alguém que suplantou as minhas expectativas. Sou muito abençoado por te ter na minha vidinha, e recuso-me a que dela saias.
Amanhã é Domingo de Aleluia. Estou em casa sozinho há 2 dias a trabalhar enquanto a família está longe nas suas férias. Tem sido emocionalmente duro, não por eles estarem longe, mas porque me apercebo que há muitos anos que estou longe de mim próprio e da minha criança, apercebo-me do quanto tenho fugido dos meus sonhos, dos meus objectivos não os exteriores de fazer e acontecer, mas os interiores de Ser e Cres-Ser.
Já estou a divagar como costume... mas já não tenho medo que vejas através de mim, não quero manter o manto de mestre, porque sou apenas um aluno iludido e medroso. Reclamo sim para mim a tua mão, para que continuemos juntos este caminho de Aprender a Ser, onde me ensinaste tanto... quem será o Mestre afinal?
Benção do Mais Alto e Amor Um. Sempre.