Não sou apreciadora de arte. Mas gostava de ser. Sei dizer se é bonito ou feio, se gosto ou não mas não sei olhar para lá e ver mais.
Quando olho para uma obra de arte gosto de fingir que sou um daqueles senhores barrigudos e com um monóculo muito entendidos no assunto e penso cá para mim "Que giro que seria ver mais que um borrão de tinta".
O que me fascina ainda mais é imaginar estes senhores aos saltinhos só por pensarem que vão ver um obra de arte.
Ora eu dou saltinhos e até danço só de pensar que amanhã vou "atender". Quando me dás a oportunidade de ir à sala de atendimento... OMG!!!
É assim o meu estômago fica com borboletas, a minha aura brilha, a minha alma enche-se de luz!!! Todas as boas sensações, vibrações e afins ficam em mim.
Mas mais mais impressionante foi ver o meu nome na folha de convocatória... nem queria acreditar. Foi mesmo estranho a sensação do "reconheço-que-sou-eu-mas-não-sinto-que-me-diga-respeito". E depois atender sozinha, o medo instalado, a desorientação e um moço à minha espera ainda mais desorientado que eu que me suportou mesmo sem saber e me ajudou a ultrapassar um obstáculo que eu tanto temia: Eu mesma.
Se for para atender não me importo de estar numa fila de 500m para ver a Gioconda e afinal descobrir que a fila não é ali.
Pois o que eu faço é arte sim srª. E garanto que é muito mais difícil ver as pessoas que ver as coisas e sentí-las como únicas e ao mesmo tempo tão pertencentes a nós.
Ser artista de almas não é esculpí-las mas sim deixar que se criem e recriem por elas mesmas, que se moldam às formas que elas próprias procuram e que tomem as cores que mais apreciam.
Às vezes penso em todas os medos que nos impedem de avançar... e se sabem que afinal não percebo tanto daquilo como pensam, e se pensam que sou fraco, e se acham que sou desorganizado... tantos e ses... quando pensamos motivados pelo medo, é este tipo de pensamentos que povoam a nossa alma, é esta vibração mesquinha que nos habita e nos faz recusar aventuras, experiências, exposições e... estagiários!
ResponderEliminarMas quando leio o que li, vejo o outro lado, recordo o amor que sinto pelas pessoas, recordo o que é sentir dar os primeiros passos, recordo o medo excitante, recordo a alegria extasiante de estar exactamente onde queremos estar... e percebo, que nada dos meus medos aparece... na verdade não sou tão bom como gostaria de ser, e por isso é que ainda aqui estou a aprender, e aprender deve ser assim, este fascínio pelo outro, pela pessoa, por aquilo que fazemos.
Alguém um dia me disse que só existem duas motivações por trás de qualquer acção ou decisão... o amor ou o medo.
Obrigado. Tu recordas-me como é escolher o amor.
O teu comentario fez-me lembrar o post que escrevi logo no inicio sobre o medo... E de facto o medo transforma-se na força que nos faz avançar, querer ser mais e melhor.. eu ca sofro muito com o medo de falhar e ainda bem, o meu medo adaptativo que me faz querer ser como tu, saber tanto como tu e aprender contigo, descobrir contigo, pensar contigo.
ResponderEliminarE contigo vejo o outro lado, da segurança, da certeza...e do amor claro esta!
Porque es apaixonado pelo que fazes mesmo que nem sempre te apercebas, porque das de ti ainda que aches que es palhaço e porque ao mesmo tempo consegues ser, estar e sentir, em comunhao com as pessoas e com o medo que te faz avançar tambem.
E este teu amor ´´e tao genuino e sublime...
Agora sim faz sentido a frase do "vamos embora quando fizermos amor" =).