Tenho um colega no estágio que tem demasiadas certezas. Opina sobre tudo, intelectualiza e marca a sua posição.
O nosso diálogo esta semana:
Ele - Reparei que te costumas rir quando eu dou a minha opinião e não compreendo se é por gozo ou por qualquer outro motivo.
Eu- Rio-me porque me fazes lembrar alguém que conheci. Tens demasiadas certezas....
Ele - Não compreendo. Não é normal que tenha opiniões? Não sou como tu que, às vezes te pergunto as coisas e dizes que nunca pensaste sobre o assunto.
Eu- A verdade é que, às vezes, nunca pensei sobre o assunto. E mesmo quando pensei, não imponho a minha opinião, quero ouvir o que tens para me dizer e aprender contigo.
Ele - Mas eu penso sobre tudo.
Eu - E opinas sobre tudo porque é a forma que tens de controlar o teu espaço.
Ele - És mesmo boa psicóloga. Já percebeste que tenho necessidade de controlar.
Eu - Nunca te descontrolas?
Ele - Nunca. Nem quando estou zangado.
Eu - Não gritas? Não choras descontroladamente? Não partes loiça nem uivas na rua à noite?
Ele - Não. Nunca. As minhas emoções são racionais.
Eu - hum hum.
(pausa para arrumar o material de trabalho)
Ele - Disseste que te faço lembrar uma pessoa que conheceste.Quem?
Eu - (riso envergonhado) Eu mesma.
Ele - A sério? Quem diria. E que papel assumes tu agora?
Eu - O papel de mestre.
Ele - És mesmo confiançuda.
Gargalhada total.
Adorei... é para mim um privilégio, poder espiar entre as nesgas da janela da nossa distância. Muita coisa acontece à nossa volta, tudo muda, e curiosamente oiço-me a repetir "Não gosto de mudanças!"... mas elas estão lá, são inevitáveis, aliás porque haveria alguém de querer evitá-las, se elas são a porta para tudo de bom que pode vir... sim, isso eu sei... mas e o que vai... aquele urso velho que tanta segurança me deu... é assim... largá-lo... ahhh! Enfim, acho por vezes que estou mais velho do que pensava, olho mais vezes por cima do ombro, a ver o caminho que fiz, do que o fazia há um ano atrás!
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